Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, mais conhecido como Chico Lopes, faleceu na última sexta-feira (8), no Rio de Janeiro. O economista, que nasceu em 1945 e exerceu a função de presidente interino do Banco Central (BC), estava hospitalizado no Hospital Pró-Cardíaco, localizado no bairro Botafogo.
A família confirmou o falecimento através de um comunicado, embora o hospital não tenha revelado a causa da morte.
“É com grande tristeza que informamos sobre o falecimento de Chico Lopes, um economista com uma carreira notável e um dos mais respeitados intelectuais do Brasil”, diz parte da nota divulgada pela família.
No comunicado, também se destaca: “Chico Lopes teve um papel significativo na formulação e discussão da política econômica do país, deixando uma contribuição valiosa para seu desenvolvimento. Ele é lembrado por sua inteligência, convicção intelectual e compromisso com o Brasil ao longo de muitos anos de trabalho”.
Atuação no Banco Central
Chico Lopes formou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), obteve seu mestrado na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e completou seu doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Além de ser professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) e na Universidade de Brasília (UnB), ele foi também um dos fundadores da consultoria Macrométrica.
Teve passagem pelo Ministério da Fazenda em 1987 e atuou como diretor do Banco Central entre 1995 e 1998, além de ter sido presidente interino em janeiro e fevereiro de 1999, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Nesse período, o Brasil enfrentava uma grave crise cambial. Lopes foi sucedido por Armínio Fraga e deixou o BC em março daquele ano.
No breve período em que esteve à frente do Banco Central, Chico Lopes foi testemunha da transição do regime cambial administrado para um sistema flutuante (sem controle rígido) no Brasil.
A sua gestão coincidiu com a controvérsia relacionada à operação que buscava socorrer os Bancos Marka e FonteCidam, que enfrentavam dificuldades devido à valorização do dólar.
Essa operação resultou em prejuízos para o BC, mas Lopes defendeu que suas ações eram legais e visavam evitar a falência das instituições financeiras e uma potencial crise econômica.
A questão chegou a ser objeto de investigação por uma Comissão Parlamentar de Inquérito, conhecida como CPI do Sistema Financeiro.
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Homenagens
<p.O Banco Central expressou seu profundo pesar ao receber a notícia da morte de Chico Lopes através de uma nota oficial.
“Francisco Lopes dedicou sua vida acadêmica ao enfrentamento dos principais desafios macroeconômicos do Brasil, particularmente a inflação crônica nas décadas de 1980 e 1990.”
O BC destacou que a contribuição mais significativa do economista foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por dirigir a política monetária nacional. Essa iniciativa trouxe previsibilidade, transparência e rigor técnico nas decisões relativas à taxa básica de juros [Selic].
Segundo a instituição financeira, Chico Lopes “deixou sua marca na história da estabilização econômica brasileira” e legou ao BC “um legado repleto de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país”.
Em 2019, o Banco Central lançou um depoimento autobiográfico em formato de entrevista que aborda a trajetória pessoal, acadêmica e profissional do economista. Clique aqui para acessar.
Durante sua carreira, Chico Lopes esteve envolvido em discussões sobre planos anti-inflacionários como Cruzado e Bresser e foi fundamental para a implementação do Real.
“Acredito que a criação do Copom foi essencial para consolidar o Real ao estabelecer uma política monetária efetiva. Eu defendia que as reuniões para definir as taxas deveriam ser registradas”, comentou ele sobre o Copom.
Cerimônia de Despedida
O velório está agendado para este sábado (9), no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.
A cerimônia terá início às 13h, seguido pela cremação marcada para as 16h.
Chico Lopes deixa sua esposa Ciça Pugliese, com quem compartilhou mais de quatro décadas juntos. Ele também era pai de três filhos e avô de sete netos.
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