O Banco Central informou que as contas externas do Brasil tiveram um saldo negativo de US$ 5,614 bilhões em fevereiro.
Esse valor é quase a metade do registrado no mesmo período de 2025, quando o déficit foi de US$ 10,245 bilhões nas transações correntes.
Esses números referem-se às compras e vendas de mercadorias e serviços, bem como transferências de renda com outros países.
De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, há uma clara tendência de redução do déficit, sendo o terceiro mês consecutivo de contração, totalizando uma queda de US$ 12,1 bilhões no déficit externo.
Em fevereiro, a melhora vem principalmente do aumento de US$ 4,6 bilhões no superávit da balança comercial de bens, devido ao crescimento das exportações e à redução das importações.
Rocha destaca que as exportações atingiram níveis recordes em todas as comparações, o que demonstra crescimento em diversos setores da economia. Já a diminuição das importações é resultado da desaceleração da atividade econômica interna, em consonância com a política monetária de aumento dos juros.
Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit em transações correntes foi de US$ 63,444 bilhões, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), indicando uma redução em relação ao mesmo período de 2025, quando o resultado foi negativo em US$ 78,980 bilhões, ou 3,67% do PIB.
Investimentos
Segundo o BC, as transações correntes apresentam um cenário robusto, com uma tendência de redução do déficit em 12 meses desde setembro de 2025, intensificada nos últimos três meses. O restante do saldo negativo das contas externas é financiado por capitais de longo prazo, principalmente pelos investimentos diretos no país (IDP), que são de alta qualidade em termos de fluxos e estoques.
O IDP totalizou US$ 6,754 bilhões em fevereiro deste ano, contra US$ 10,039 bilhões no mesmo mês de 2025. Em períodos em que o país registra déficit em transações correntes, é necessário cobrir essa diferença com investimentos ou empréstimos no exterior. O IDP é considerado a forma mais eficaz de financiar esse saldo negativo, pois os recursos são direcionados para o setor produtivo e caracterizam-se por serem investimentos de longo prazo.
No acumulado de 12 meses até fevereiro, os investimentos diretos recuaram para US$ 75,852 bilhões (3,24% do PIB), em comparação com US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB) no mês anterior e US$ 78,276 bilhões (3,64% do PIB) no período encerrado em fevereiro de 2025. Mesmo assim, de acordo com Rocha, esses resultados em 12 meses demonstram a solidez da economia brasileira, que é totalmente financiada pelo IDP.
No caso dos investimentos em carteira no mercado interno, houve um influxo líquido de US$ 5,366 bilhões em fevereiro. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, esses investimentos totalizaram um ingresso líquido de US$ 29,3 bilhões, em comparação com os US$ 24,9 bilhões nos 12 meses anteriores e saídas líquidas de U$ 5,3 bilhões nos 12 meses até fevereiro de 2025.
O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 371,074 bilhões em fevereiro, um aumento de US$ 6,706 bilhões em relação ao mês anterior.
Transações correntes
Em fevereiro deste ano, as exportações de bens totalizaram US$ 26,383 bilhões, um aumento de 14,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
Já as importações atingiram US$ 22,876 bilhões, representando uma queda de 5,1% em comparação com fevereiro do ano anterior.
Com os resultados das exportações e importações, a balança comercial fechou com um superávit de US$ 3,507 bilhões no mês passado, em contraste com o saldo negativo de US$ 1,123 bilhões em fevereiro de 2025.
O déficit na conta de serviços, que inclui viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e propriedade intelectual, foi de US$ 3,921 bilhões no mês passado, mantendo-se no mesmo patamar de fevereiro de 2025.
No último mês, o déficit na renda primária, que engloba pagamentos de lucros e dividendos de empresas, juros e salários, alcançou US$ 5,640 bilhões, um aumento de 2,1% em relação a fevereiro de 2025, quando foi de US$ 5,523 bilhões. Geralmente, essa conta é deficitária devido ao maior volume de investimentos estrangeiros no Brasil, cujos lucros são enviados para o exterior, em comparação com os investimentos brasileiros no exterior.
A conta de renda secundária, que inclui doações e remessas de dólares sem contrapartida de serviços ou bens, teve um resultado positivo de US$ 440 milhões no último mês, em contraste com o superávit de US$ 290 milhões em fevereiro de 2025.
Fonte: Agência Brasil
O resultado negativo nas contas externas cai para US$ 5,6 bilhões em fevereiro foi publicado primeiro no São Paulo Jornal.


