Um abalo sísmico de magnitude superior a 7 já é devastador por si só. Agora, imagine dois terremotos ocorrendo em um intervalo de apenas 39 segundos, como foi o caso na Venezuela, que já sofre com uma grave crise econômica. Em situações normais, isso representaria um grande desafio para qualquer líder. No entanto, em um contexto tão caótico, a enigmática Delcy Rodríguez terá que enfrentar um teste sem precedentes na gestão da imensa tragédia nacional.
A Posição Incerta de Delcy Rodríguez no Comando
A posição de Delcy Rodríguez, uma proeminente chavista escolhida para suceder Nicolás Maduro, permanece obscura. Maduro foi retirado de seu quarto por uma ação rápida dos Estados Unidos em 3 de janeiro.
Para os setores da esquerda, ela é considerada uma traidora que se aliou ao inimigo, entregando Maduro e abrindo as portas da Venezuela para empresas petrolíferas norte-americanas. Existem rumores constantes sobre um possível entendimento prévio entre ela e os EUA — e sua postura colaborativa parece reforçar essa narrativa.
Já a direita e aqueles que se opõem ao chavismo veem em suas ações uma estratégia ambígua: enquanto colabora com os americanos, ela teria substituído alguns membros do regime por aliados leais, mantendo intacta a estrutura repressora e autoritária vigente. A libertação parcial de prisioneiros políticos não altera a realidade dos quase 500 detentos ainda encarcerados, e não há sinais de progresso rumo a uma transição democrática.
A 'Disciplina Tática' na Mudança de Regime
Essa situação reflete um modelo incomum adotado por Donald Trump em relação à Venezuela: promover uma mudança de regime sem alterar o próprio regime. A oposição vive um silêncio controlado e angustiante; não pode criticar Trump, mas também não consegue aceitar a ascensão do grupo de Delcy ao poder sem evidências concretas de que pretendam renunciá-lo.
Com apenas 25% de aprovação popular, Delcy enfrenta dificuldades para conquistar apoio. Contudo, isso nunca impediu os chavistas ou maduristas de se manterem no poder. Vale ressaltar que ela demonstra uma abordagem menos histriônica do que seus predecessores, gerenciando com cuidado as inúmeras contradições apresentadas pela realidade atual. Segundo o analista venezuelano Benigno Alarcón Dexa, ‘o país não avança em direção a uma transição democrática; ao contrário, está seguindo em direção a uma normalização econômica — uma estratégia que o governo de Delcy Rodríguez tem adotado com notável disciplina tática’.
Mudança Diplomática em Meio à Tragédia
A estabilização que Delcy conseguiu pode desmoronar diante da magnitude da calamidade causada pelos terremotos ou a população pode simplesmente se resignar diante das inúmeras desgraças impostas por fatores humanos e não pela natureza, capaz de derrubar pelo menos 250 edifícios como se fossem peças de brinquedo.
Em um movimento surpreendente, Delcy Rodríguez expressou: ‘Agradecemos ao presidente Donald Trump e seu governo pelo constante contato com as autoridades venezuelanas, oferecendo apoio e solidariedade ao povo da Venezuela’, contradizendo sua longa trajetória marcada por um antiamericanismo extremo. Em um governo anterior de Trump, ela chegou a afirmar que a ajuda humanitária dos EUA poderia estar ‘contaminada e envenenada’, preferindo passar fome do que aceitar alimentos ‘carcinogênicos’.
Atualmente, ela agradece calorosamente as propostas de assistência — enquanto continua avançando com seus próprios projetos de poder. A questão permanece: quem realmente está no controle? Trump, ao fazer acordos com ela; ou Delcy, ao estabelecer um acordo com Trump?


