A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, nesta terça-feira (9), rejeitar o pedido de liberdade da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, mantendo sua prisão preventiva. Os ministros optaram por permitir que o processo siga nas instâncias inferiores, onde ainda há recursos da defesa aguardando julgamento.
Acusações e Contexto da Investigação
Deolane foi detida no dia 21 de maio durante uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil. A investigação foca em possíveis crimes relacionados à lavagem de dinheiro e vínculos com organizações criminosas.
As suspeitas incluem lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e envolvimento em atividades de uma organização criminosa. A defesa, por sua parte, refuta todas as alegações, assegurando que os valores movimentados têm origem lícita e estão devidamente declarados às autoridades competentes.
Decisão Judicial e Argumentos da Defesa
No decorrer do julgamento, os advogados de Deolane sustentaram que não estavam presentes os requisitos legais para a manutenção da prisão preventiva, argumentando que não há risco à ordem pública, à produção de provas ou à aplicação da lei penal.
Os defensores pediram a conversão da prisão preventiva em domiciliar, destacando que a influenciadora é responsável pelos cuidados de uma filha menor. Também sugeriram alternativas cautelares como a retenção do passaporte, proibição de deixar a cidade e restrições quanto ao contato com outros envolvidos nas investigações.
O relator do caso, ministro Ribeiro Dantas, ressaltou que ser mãe de uma criança não garante automaticamente a concessão de prisão domiciliar ou liberdade provisória. Ele explicou que condições pessoais favoráveis e a alegada falta de risco de fuga não são suficientes para justificar a liberação quando existem elementos objetivos que indicam a necessidade da custódia.
Desdobramentos da Operação Vérnix
No contexto da Operação Vérnix em São Paulo, além de Deolane, outras seis pessoas foram indiciadas. As investigações apontam que o grupo continuava atuante mesmo após a aplicação das medidas judiciais, reestruturando empresas supostamente utilizadas para ocultar patrimônio e movimentar recursos financeiros.
A polícia também identificou indícios do uso de novas empresas e movimentações patrimoniais recentes. Além disso, foram descobertos mecanismos alternativos para circulação de valores, incluindo transações com ativos virtuais.
Histórico das Investigações Relacionadas a Deolane Bezerra
Deolane Bezerra já esteve envolvida em várias investigações nos últimos anos. Em julho de 2022, sua residência em Alphaville foi alvo de buscas relacionadas a uma investigação sobre uma empresa de apostas esportivas, resultando na apreensão de automóveis luxuosos.
Em fevereiro de 2024, ela foi investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após ser filmada em um baile no Complexo da Maré, sob suspeita de associação com o tráfico. Posteriormente, em setembro do mesmo ano, Deolane foi presa preventivamente na Operação Integration da Polícia Civil de Pernambuco, que investigava lavagem de dinheiro e exploração ilegal em jogos. Ela conseguiu um habeas corpus e seu caso foi transferido para a Justiça Federal em 2026.
Mais recentemente, em abril de 2026, passou a ser investigada pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo, que visa desmantelar uma rede relacionada à lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de drogas e apostas clandestinas. A defesa continua negando qualquer participação em atividades ilícitas.


