O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, declarou uma vitória significativa na redução da criminalidade, um desafio que muitos governantes consideram intransponível. Com uma abordagem que ele descreve como 'inteiramente nova' e resistente a críticas, a Suécia testemunhou uma queda substancial nos índices criminais. Este sucesso é notavelmente atribuído a políticas de 'mão dura', que levaram à comparação de Kristersson com o presidente salvadorenho Nayib Bukele, conhecido por suas rigorosas medidas de segurança.
Estratégias de Combate à Criminalidade e Resultados Alcançados
Desde que o governo de centro-direita assumiu em 2022, com apoio da direita nacionalista, foram implementadas reformas legislativas abrangentes. As ações incluíram o endurecimento das leis para criminosos, a redução da maioridade penal para 14 anos – visando coibir o uso de menores por gangues –, e o aumento dos recursos e da capacidade de interceptação para as forças policiais. Como resultado direto dessas políticas, a Suécia registrou uma queda de 80% nos tiroteios entre gangues e uma redução de 68 para 12 nas mortes por disputas territoriais, caindo de 391 para 48 episódios anuais.
Além das medidas repressivas, o governo integrou programas sociais destinados a oferecer 'portas de saída' para jovens em risco. Paralelamente, revogou vantagens de redução de pena para criminosos entre 18 e 20 anos, e tipificou o recrutamento de menores como crime específico, monitorado ativamente em plataformas digitais como Snapchat e TikTok.
Impacto da Imigração e Resposta Governamental
Um dos pilares da abordagem governamental estendeu-se ao controle da imigração, particularmente de países do Oriente Médio e da África, com o aumento das exigências e restrições. Historicamente aberta a exilados políticos, a Suécia viu um terço de sua população ter origem estrangeira. Enquanto muitos imigrantes, como os iranianos, se integram com sucesso e contribuem significativamente, a proliferação de gangues entre algumas comunidades de origem turca, curda, somaliana, etíope e albanesa tem sido um desafio.
Em 2015, no auge da crise migratória, o país recebeu 160 mil pedidos de asilo; este número foi reduzido drasticamente para 4,2 mil pedidos neste ano, refletindo a nova política. As gangues Foxtrot e Rumba, lideradas por indivíduos de origem curda da Turquia e turco-sueca, respectivamente, foram identificadas como responsáveis pela maioria dos crimes e se tornaram alvos centrais do plano de Kristersson.
Percepção Pública e Implicações Políticas Futuras
Por anos, a generosidade do sistema social sueco foi percebida como explorada ou traída por aqueles que optavam pelo crime, levando cidades como Malmö a enfrentar deterioração e alta criminalidade. Muitos vizinhos nórdicos consideravam a Suécia um caso perdido em sua abordagem de bem-estar. A chegada de Kristersson ao poder marcou uma mudança de paradigma, assumindo o combate ao crime de forma assertiva.
Apesar do sucesso em conter a criminalidade, existe a possibilidade de que o primeiro-ministro possa enfrentar uma derrota eleitoral no próximo pleito, um cenário que alguns analistas atribuem ao 'efeito Churchill' – uma guinada política à centro-esquerda após o objetivo principal ter sido alcançado. Contudo, a efetividade das políticas implementadas torna improvável um retrocesso significativo nas medidas que se provaram bem-sucedidas no combate ao crime, indicando que a guerra contra o crime deve ser permanente.
Fonte: https://veja.abril.com.br
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